A disputa dos clubes com a Fifa e seleções pela liberação de jogadores é um ensaio para uma briga maior: o futuro calendário do futebol mundial. O atual desenho do cronograma de jogos mundiais é válido até 2024. Há uma discussão sobre qual será a reforma a ser feita, e clubes, seleções e a federação internacional se digladiam por espaços. No episódio atual, os clubes ingleses, espanhóis e italianos decidiram rejeitar as liberações dos jogadores para as três datas de eliminatórias sul-americanas. Na Inglaterra, a alegação é a quarentena a que serão submetidos os atletas na volta da viagem, o que os levaria a desfalcar as equipes. Times dos outros dois países europeus repetiram as recusas apesar de não terem restrições.


Pelo calendário atual, a Conmebol, por exemplo, teve 10 datas-Fifa para realização de jogos de eliminatórias, sendo que duas delas foram deslocadas. Além disso, foi reservado o espaço para a Copa América, que era no mesmo período da Euro. São as duas competições internacionais de seleções incluídas no cronograma além da Copa do Mundo.


A UEFA também tem 10 datas de eliminatórias listadas nas datas-Fifa. A diferença é que a entidade europeia já aglutina três jogos em um mesmo período. Há ainda duas datas extras que teoricamente são para amistosos, mas os europeus ocupam com a Nations League.


Essa estrutura de jogos fragmentados distribuídos pelo ano é bastante criticada por clubes europeus. Reclamam que seus jogadores são submetidos a viagens longas para outros continentes, especialmente a América do Sul, para servir aos times nacionais por apenas duas datas.


Na própria Fifa, há um reconhecimento que esse modelo não é o ideal. Uma alternativa seria a redução das eliminatórias e a concentração de seus jogos com menor fragmentação. Ou seja, seriam períodos maiores com mais partidas.


Ao mesmo tempo, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, tem demonstrado cada vez mais apoio para a implantação de uma Copa do Mundo a cada dois anos. A proposta foi feita pela federação da Arábia Saudita, que é aliada do dirigente. O projeto ainda está em estudo aprovado pelo Congresso da Fifa. Ainda precisaria ter uma aprovação e só seria válido para 2026.


Na contramão deste movimento, os clubes europeus querem a redução do número de datas-Fifa. O objetivo deles é abrir espaços para mais jogos rentáveis. A Champions League, por exemplo, já será reformada para ter mais partidas na sua fase de grupo, o que aumentará a remuneração geral do time. A alteração do formato foi negociada enquanto havia as pressões para Superliga de clubes, que foi anunciada pelos superclubes europeus e, depois, fracassou.


Outro elemento do cenário é o Mundial de Clubes projetado por Infantino. Essa proposta perdeu tração recentemente, mas a ideia inicial era um torneio com 24 clubes de todo o mundo, com uma maioria de europeus. Havia o objetivo claro de capitalizar as grandes marcas para criar uma competição rentável. De uma certa forma, a Copa a cada dois anos substituiria esse torneio.


No final das contas, a disputa pelas datas é uma briga pelos jogadores, e por dinheiro. Quem tiver mais jogos consegue mais exposição, contratos de televisão e marketing maiores. A briga atual pelas datas-Fifa, ainda que que tenha como elemento incendiário a pandemia de coronavírus, tem a mesma natureza do que a disputa pelo calendário. (RODRIGO MATTOS - UOL ESPORTES)


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