Com recorde de medalhas de ouro (22), melhor marca de pódios conquistados (72) e de colocação (7°) no quadro de medalhas igualadas, o Brasil se manteve como potência paralímpica em Tóquio. Quem não vive por essas bandas e acompanhou a competição japonesa deve achar que o país é um bom lugar para pessoas com deficiência viverem.


Uma referência em termos de acessibilidade, oportunidades de trabalho e combate ao preconceito. Pensar assim, seria como cair numa propaganda enganosa. A força paralímpica brasileira não espelha um país que dá, em níveis satisfatórios, conforto, segurança e oportunidades para seus cidadãos com deficiência.


O que se vê nas competições não é refletido nas ruas. Basta você pensar no seu bairro ou no seu local de trabalho. Tudo é adaptado para pessoas com deficiência? Ao seu redor, indivíduos com deficiência não são vítimas de preconceito?


Sem dúvida, o Brasil melhorou muito nas últimas décadas em termos de oferecer acessibilidade e postos de trabalho para pessoas com deficiência. Mas os avanços foram a passos de tartaruga. O sucesso paralímpico, que tem a ver com investimento do governo federal, deveria ser usado pelo poder público para ajudar nesse processo. É preciso transformar as medalhas em combustível para que o país seja um local confortável, justo e sem preconceito para as pessoas com deficiência.


Os governantes precisam desenvolver mais políticas nessa área com prioridade e aproveitar a imagem dos ídolos paralímpicos para impulsionar uma transformação. Caso contrário, continuaremos sendo um nação que só olha para essa parcela da população a cada quatro anos. (PERRONE – UOL)

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